domingo, 27 de abril de 2014

NASCER: PRERROGATIVA DA VIDA



                                                                                      Mariane de Macedo

                 Como é que vedes um argueiro no olho do vosso irmão, quando não vedes uma trave no vosso olho? – Ou, como é que dizeis ao vosso irmão: Deixa-me tirar um argueiro do teu olho, vós que tendes no vosso uma trave? – Hipócritas, tirai primeiro a trave do vosso olho e depois, então, vede como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão. (S. MATEUS, 7:3 a 5.)

            O homem como ser histórico, passa por um processo de aprendizado e transformação, posto que em várias épocas lhe foi dada a oportunidade de reflexão. Na Grécia com os filósofos; através dos ensinamentos de Moisés; a vinda do Cristo - o cristianismo; a reforma luterana; revolução francesa, as grandes guerras e, outros. Nestes fatos históricos, sempre existiu um chamamento ao individuo para o reconhecimento de si mesmo e respeito ao outro, o que redundou na organização dos direitos humanos. No entanto, em pleno terceiro milênio, onde paira um apelo coletivo sobre a responsabilidade com o planeta e, por conseqüência com a vida, a humanidade ainda discute sobre aprovação do aborto. Questionar se deve ou não tirar a vida de alguém, é desdenhar as conquistas alcançadas ao longo dos séculos.                

             A doutrina espírita tem na imortalidade da alma e na reencarnação, a sustentação ao respeito à vida. Estes dois princípios afirmam que os espíritos são almas encarnadas em corpos, que através da reencarnação passam pelas experiências necessárias para o aperfeiçoamento, sejam elas boas ou ruins. De acordo, com a necessidade de aprendizado do espírito, junto à família, que não está isenta das provações.

           Entretanto, para a sociedade materialista, e distanciada da divindade, o que prepondera é a imediata satisfação da mãe. Desconhecedora dos seus comprometimentos espirituais com o ser em formação deseja expurgá-lo, em uma tentativa de aliviar o seu sofrimento, em detrimento do espírito, que necessita reencarnar nestas condições.

           A Dra. Marlene Nobre, presidente das associações médico-espíritas Internacional e do Brasil, nos diz que é infundado o argumento utilizado em defesa do aborto dos anencefálos. De que o feto por não ter cérebro, não teria um espírito ligado a ele, diz ela: Este argumento, porém, não tem o respaldo da embriologia. Durante a sua formação, o feto anencéfalo pode ter, por distúrbios ou falhas do sistema vascular, a paralisação do desenvolvimento do Sistema Nervoso Central em pontos distintos. Assim, pode ter um único hemisfério cerebral, não ter nenhum, mas, sem dúvida, terá o diencéfalo ou as estruturas reptilianas responsáveis pelas funções primitivas e inconscientes. Tanto é verdade que o anencéfalo tem todas as atividades instintivas básicas preservadas, como o pulsar do coração e a possibilidade de expandir os pulmões, nos movimentos respiratórios normais. Não se pode dizer, portanto, que ele não tem cérebro, nem tampouco que morre ou para de respirar ao nascer. Há inúmeros anencéfalos que persistem vivos por horas ou dias, após o nascimento, mesmo desconectados do cordão umbilical, justamente porque possuem o cérebro primitivo, responsável pelas funções básicas instintivas.

Se somos espíritas, a explicação para os fetos anencéfalos é muito mais lógica e racional. Não podemos nos esquecer de que só o Espírito tem capacidade de agregar matéria. Se não tivesse um Espírito no comando, o anencéfalo não poderia formar os seus próprios órgãos - e o fazem a tal ponto que eles são cogitados para transplantes -, não cumpriria o seu metabolismo basal, e não teria preservadas as suas funções vitais. O Espírito expressa-se através do perispírito ou do corpo espiritual e este, por sua vez, modela o corpo físico. Se há erros ou deficiências na modelagem, isto significa que o Espírito deformou o seu períspirito por problemas cármicos ou faltas cometidas em outras vidas. Assim como podem ocorrer deficiências nos mais variados órgãos, a questão não é diferente em relação ao cérebro. Na questão 344, eles afirmam que a união da alma com o corpo dá-se no momento da concepção; um pouco mais adiante, na de nº 356, advertem que há corpos para os quais nenhum Espírito está destinado, explicando que isto acontece como prova para os pais. E ainda no desdobramento desta questão enfatizam que a criança somente será um ser humano se tiver um espírito encarnado. Se juntarmos todas estas respostas, concluiremos que os corpos para os quais poderíamos afirmar que nenhum espírito estaria destinado seriam os dos fetos teratológicos, monstruosos, que não têm nenhuma aparência humana, nem órgãos em funcionamento. Como vimos nada disto se aplica ao anencéfalo, porque o espírito comanda, ainda que precariamente, um organismo vivo. No caso do anencéfalo, o períspirito está lesado, principalmente, em seu chacra ou centro de força cerebral que é responsável pela percepção (visão, audição, tato etc), pela inteligência (palavra, cultura, arte, saber) e atua no córtex. O Espírito com este tipo de má-formação errou, portanto, na aplicação da inteligência e da percepção.

                 Após o exposto, permanece claro que a preservação da vida vem ao encontro dos ensinamentos de Jesus, que nos assevera em Mateus 7:3-5: “Como é que vedes um argueiro no olho do vosso irmão, quando não vedes uma trave no vosso olho?”.  Onde o evangelho segundo espiritismo nos esclarece que a humanidade insensata busca no outro o mal, antes de ver  o mal que está em si mesmo. Para julgar-se a si mesmo, fora preciso que o homem pudesse ver seu interior num espelho, pudesse, de certo modo, transportar-se para fora de si próprio, considerar-se como outra pessoa e perguntar: Que pensaria eu, se visse alguém fazer o que faço? Incontestavelmente, é o orgulho que induz o homem a dissimular, para si mesmo, os seus defeitos, tanto morais, quanto físicos. Semelhante insensatez é essencialmente contrária à caridade, porquanto a verdadeira caridade é modesta, simples e indulgente. Caridade orgulhosa é um contrassenso, visto que esses dois sentimentos se neutralizam um ao outro. Com efeito, como poderá um homem, bastante presunçoso para acreditar na importância da sua personalidade e na supremacia das suas qualidades, possuir ao mesmo tempo abnegação bastante para fazer ressaltar em outrem o bem que o eclipsaria, em vez do mal que o exalçaria? Por isso mesmo, porque é o pai de muitos vícios, o orgulho é também a negação de muitas virtudes. Ele se encontra na base e como móvel de quase todas as ações humanas. Essa a razão por que Jesus se empenhou tanto em combatê-lo, como principal obstáculo ao progresso.

                 Neste mesmo evangelho, existem as respostas para as misérias humanas, onde o indivíduo encontra suporte para as suas provações, sem a necessidade de aniquilar o outro para o seu aperfeiçoamento moral. A maior prova do amor divino é dar uma nova oportunidade reencarnatória, pois a existência terrena oportuniza experiências necessárias para o aprendizado.

           Os direitos humanos não devem ser visto apenas como inibidor de guerras, como algo distanciado das pessoas. Mas como parte do cotidiano, considerando que todos são iguais diante das leis naturais, as de Deus. Posto isto, cabe salientar o direito a vida.

              Jesus convida ao amor: Ama ao teu próximo, como a ti mesmo. Quando a criatura se ama, aprende a amar o outro, posto que o reconhece como alguém igual a si. Desenvolvendo a percepção do todo e, por consequência respeitando os direitos individuais dos outros, que são interligados aos seus.

             O terceiro milênio é o convite a nos sobrepormos aos comportamentos preconceituosos, sairmos da mesmice e fazermos a diferença. Tirar a oportunidade dos anencefálos reencarnarem é voltarmos aos tempos do holocausto, decidindo quem deve viver, buscando a raça pura. Os tempos são de solidariedade, de esperança e consolo e ninguém que suja as mãos com o sangue de seu irmão, consegue consolo.

               Corpos perfeitos não equivalem à perfeição moral. A anencefalia de hoje, nada mais é que os defeitos morais de ontem. Portanto, ter cérebro para premeditar e impedir o processo evolutivo dos espíritos é construir anecéfalos, pelas leis da reencarnação. Portanto, tirar a trave do olho é o único caminho para a prerrogativa da vida.  

 

 

 

 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

COOPERADORES DE DEUS

                                                    

                                     "Pois somos cooperadores de Deus". - Paulo (I Coríntios, 3:9)

                                                                                                              *Mariane de Macedo

                    A Doutrina espírita como consolador prometido pelo cristo tem como um de seus princípios básicos a reencarnação. Conforme a questão 167 do Livro dos espíritos:  Qual o fim objetivado com a reencarnação? “Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a justiça?”.  Na Questão, 171. Em que se funda o dogma da reencarnação? “Na justiça de Deus e na revelação, pois incessantemente repetimos: o bom pai deixa sempre aberta a seus filhos uma porta para o arrependimento”.

                  Portanto, os homens são espíritos reencarnados pela necessidade de aprendizado, em corpos físicos. Entretanto o aprendizado só acontece através das sucessivas reencarnações as quais, todos estão comprometidos em seus projetos reencarnatórios. Este projeto é desenvolvido previamente na espiritualidade para o êxito na existência. Assim, comprovando a bondade divina para com todos.  “Antes de reencarnarem, na fase preparatória que experimentaram no Mundo Espiritual, tiveram o períspirito e o corpo físico planejado pelos técnicos em reencarnação no sentido de lhes ajustarem as estruturas, para que, no momento próprio, eclodissem ou se ampliassem as percepções extra físicas, iniciando-se a tarefa de intercâmbio espiritual. Para Manoel P. Miranda: Foram adestrados para o trabalho que ora desempenham, (...) apropriaram-se das ferramentas de que necessitam,...”.

                 De posse das ferramentas que necessita, o indivíduo não percebe o empenho de Deus, através das equipes espirituais, para que efetivamente obtenha êxito no projeto reencarnatório.  Recebe todo o tipo de auxilio, tais como: auxilio de seu anjo da guarda; frequência em ambientes espiritualizados através de encontros espirituais com aqueles que permanecem na espiritualidade e através dos sonhos tem pequenas lembranças, ou não, conforme a necessidade e, além disto, a família.

                O papel da família é fundamental no processo reencarnatório, para que o homem faça escolhas adequadas e, assim, evolua. Para Emmanuel: “De todos os institutos sociais existentes na Terra, a família é o mais importante, do ponto de vista dos alicerces morais que regem a vida.” Concordando Hermínio P. de Miranda salienta: “A família é, pois, um grupo que caminha, oferecendo mútuo amparo, revezando-se aqui na Terra e no Além, uns na carne, outros em espírito.”.

                 Na maioria das vezes, a família é formada para auxiliar os equivocados a se recuperarem dos erros morais, a repararem danos que foram causados em outras tentativas nas quais malograram. Em decorrência disto, a tomada de consciência por parte de pais e educadores é imprescindível, posto que através da infância o processo educativo torna-se mais efetivo. Toda a criança é uma massa de modelar, que se orientada com amor acata o apelo amoroso para este processo evolutivo. As crianças são seres que Deus manda a novas existências, dando-lhes aspectos de inocência. Nas questões 383 e 385 do Livro dos espíritos é enfatizado que “Nessa fase [infância] é que se lhes pode reformar os caracteres e reprimir os maus pendores” (385). “O Espírito, durante esse período, é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo” (383).

                 O pai não cria o Espírito do filho, mas tem por compromisso auxiliar o filho em seu progresso moral e intelectual. Perceber os maus pendores e direcioná-los faz parte da tarefa de transformação moral deste espírito, que embora em corpo infantil, ainda carrega consigo tendências que necessitam de direcionamento.

                  Para obter êxito no projeto, Joanna de Ângelis assevera: “Gasta-te, como o combustível da luz, a fim de que haja claridade no caminho por onde segues, propiciando aos que vêm depois a facilidade do trânsito no rumo da sua gloriosa destinação,” (,,,)”(...) Não se pode, portanto, compreender a aceitação das lições espíritas sem a sua correspondente vivência: num comportamento  adequado às suas propostas iluminativas”. Fica evidente que a coerência entre o conhecimento e a prática são indispensáveis para que o exemplo permaneça sobre aqueles as quais o indivíduo se compromete. Se você sabe, o que fazes com aquilo que sabes?

                  Embora a tarefa seja árdua, o homem necessita se esforçar. Ter o conhecimento da imortalidade da alma, da reencarnação e entender o sentido da vida, abrindo uma possibilidade maior ao individuo, de êxito no projeto reencarnatório.  Quando conhece, escolhe melhor e assim pratica as lições que a Doutrina oferta. Libertando-se dos processos educacionais repressivos ou permissivos, que são os extremos, dando lugar para o caminho do diálogo.

                   O dialogo possibilita a criatura: 1°- Parar – diminuir o ritmo, interromper os comportamentos mecanizados; 2° - Ouvir – Saber o que o outro pensa e sente. Dar a vez para entender e compreender os parceiros (pais, filhos, cônjuges, amigos, colegas, etc.) de caminhada; 3°- Olhar – Ver não apenas com os olhos físicos as pessoas da convivência, mas acatar as intuições e ver com os olhos da alma as necessidades, as fraquezas e as virtudes alheias; 4° - Pensar - com a lógica espiritual para construir um pensamento reto e justo e, por último: 5° - Agir – de forma coerente sem maltratar os outros, mas visando ter atitudes educativas que mobilizem os educandos e abrindo sempre espaços para a conversa assertiva, franca e madura.

                Para Paulo, “somos cooperadores de Deus"; para assumir este papel é preciso lucidez, fazendo a reforma íntima para sair dos comportamentos equivocados. E, assim, em se melhorando, ser grato a Deus, servindo na causa do bem, como cooperador.

               “Brilhe a vossa luz” – propôs o Mestre.  “Acendamos a claridade do amor incondicional em nosso mundo íntimo e deixemos brilhe a luz da misericórdia em toda a parte, irradiando-se de nós como bênção da vida em favor de todas as vidas.”
                                                 

 
Bibliografia:

Emmanuel, F.C. Xavier. “Vida e Sexo”, Ed. FEB

Joanna de Ângelis/D. Franco. Adolescência e Vida,

Joanna de Ângelis – - Libertação pelo sofrimento

Projeto Manoel P. Miranda - Vivência Mediúnica

Programação e condições encarnatórias para o êxito.

MIRANDA, Manoel P., Sexo e Obsessão.

Hermínio C. Miranda, “Candeias na Noite Escura”, Ed. FEB

 

  • Trabalhadora do centro Espírita Ismael Vivian Eillers – Caçapava do Sul
  • Psicóloga

A MULHER E O EVANGELHO


                                 

                                                         “Maria, cuida dos teus filhos do mundo” Jesus.
                                                                                                     *Mariane de Macedo

                               O ser humano adquire muitas crenças ao longo das existências. Muitas delas, inquestionáveis, impedindo a criatura de vivências mais tranquilas, respeitosas e fraternas. Entre estas, a certeza da inferioridade feminina, ainda na atualidade, persegue a homem materialista, que se comporta como se a sua superioridade estivesse no gênero e não na moralidade.

                                Certamente que é necessário viajar na história para entender esta construção que foi reforçada a cada época por figuras renomadas, que na sua maioria eram do sexo masculino.

                                Os gregos acreditavam que era o macho o rei da colmeia, no entanto é a abelha a rainha. Outra crença ancestral é de que o leão é o rei dos animais. Entretanto, a crença deixa de existir pelo fato de que é a leoa quem ataca para obter a comida para os filhotes. Assim, o rei da selva é dependente da leoa e, não ao contrário. Entre os insetos quem pica não é o macho e, sim, a fêmea que necessita do sangue para manter os ovos.

                             Já nas escrituras a mulher é responsável pela perdição do homem: É a mulher que faz Adão se perder e junto toda a humanidade; Ela é submissa porque sai da costela de Adão e não do ventre. Para a psicologia este é um mecanismo de deslocamento. A partir disto, muitas aberrações foram criadas em torno do sexo feminino:     Eclesiastes dizia: Que a mulher é uma coisa mais amarga que a morte; Um provérbio chinês: Uma mulher nunca deveria governar a si mesmo; Pitágoras afirmava que em cada dez mulheres existia apenas uma alma; O teólogo Tomás de Aquino considerava que a mulher era um homem incompleto, um ser ocasional.

                           Dadas estas circunstâncias a mulher vem a séculos lutando por um espaço na sociedade, ainda não alcançado. Em 1781 foi feita a declaração dos direitos da mulher pela pensadora Olympe Gauger, que fora guilhotinada em 1793, pela sua petulância. Além desta época na psicologia havia grandes mulheres que escreviam artigos científicos, mas que não lhes era permitido assinar-lhes. Eram apenas coautoras dos textos dos eméritos psicólogos que fizeram história do psiquismo humano.

                          Em 1848 acontece o movimento de emancipação feminina.  A partir disto a mulher passa de um extremo ao outro, na busca da igualdade, passando a ser uma paródia do homem, quando consegue se igualar nos vícios e não nas oportunidades.  Assim, a luta continua com as operárias da fábrica de tecidos em Nova York, que por fazerem greve e lutarem por seus direitos trabalhistas foram cruelmente mortas, após serem trancadas e incendiadas, morreram carbonizadas. Entretanto, somente foram reconhecidas em 1910 em uma conferência na Dinamarca, que instituiu o Dia Internacional da Mulher em homenagem as 130 tecelãs mortas. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU.

                            Em 1857, no mesmo ano em que as tecelãs foram queimadas, Kardec, no Livro dos Espíritos - questão 817 questiona os espíritos sobre a igualdade de homens e mulheres, no que os espíritos respondem que homens e mulheres são iguais, pois ambos conhecem o bem e o mal. Portanto, iguais perante Deus, com as mesmas responsabilidades.

                            No Brasil em 24 de fevereiro de 1932 foi instituído o voto feminino. Após muitos anos de reinvindicações e discussões, conquistaram o direito de votar e serem votadas para cargos do legislativo e executivo.

                              Percebe-se que embora a mulher por séculos de repressão inicialmente tenha conseguido a igualdade nos aspectos negativos do homem, atualmente busca desconstruir esta deturpação assumindo o seu papel social.

                              Este papel já era reconhecido há muito tempo por um homem de olhos serenos, que falava por parábolas e compreendia bem a alma humana. Estava sempre rodeado de mulheres. No calvário, os homens fugiram, mas as mulheres permaneceram lá, a seus pés. E uma delas era presença constante. Chamava-se Maria, da cidade de Magdala.

                              E Divaldo Pereira Franco discorre sobre esta personagem:

                              “Era uma casa muito linda”. Um homem com suas vestes de mendigo batem incessantemente à porta. Um jovem serviçal vem atender e o velho mendigo diz: - Desejo falar a senhora. A serviçal abre o enorme portão de madeira e deixa-o em um pátio cercado de flores junto a um belo chafariz. A moça retorna dizendo: - Hoje a senhora não está atendendo e, riu-se dizendo: - Imagine só ela hoje desprezou a companhia de um rei e de um jovem e belo poeta, por acaso pensas que irá falar com velho mendigo. O velho ferido, humilhado alterou a voz e reafirmou: - Preciso falar à senhora. A mulher assustada entrou na intimidade da casa e quando chegou ao quarto de sua senhora deu-se conta de que o mendigo havia entrado junto com ela. O homem então começou a sacudir a senhora dizendo: - Senhora eu o encontrei, acorde senhora, eu o encontrei. A ovem ainda sonolenta abriu os olhos e deu-se com aquele velho desconhecido até então para ela, a gritar na volta de seu leito. – Senhora veja o meu corpo, olhe as chagas de meu corpo não existem mais. E aquele homem gritava dizendo. – Senhora eu encontrei Jesus de Nazaré, ele está aqui bem próximo, vai falar com ele senhora. A mulher então se lembrou daquele homem que ela havia encontrado há algum tempo atrás andava passeando com um de seus amantes quando foi abordada por um leproso que pedia: uma esmola, por favor, senhora, ajuda-me a ir ver Jesus. Ela então gargalhou e perguntou: - quem é Jesus? O homem leproso respondeu: - Dizem que ele cura as doenças de qualquer espécie, ajuda-me senhora. Ela então deu algumas moedas ao mendigo e disse-lhe: Se ele te curar venha me dizer para curar as doenças de minha alma. E saiu rindo-se. Esta foi à segunda vez que havia ouvido falar do Messias, pois a primeira vez foi quando tinha apenas quinze anos. Andava em Jerusalém quando pelos caminhos da vida escutou um profeta a contar estórias na porta do templo dizendo: - Dia virá em que dores e feridas aliviarão e cicatrizarão com a chegada do Messias. Maria havia tido uma desilusão amorosa, encontrou aquele que a enchera de promessas e sonhos, ela apaixonou-se e entregara-se no seu sonho de menina a um homem que ontem era só amor e ternura, mas que ao acordar já o desconhecia, pois partira sem deixar vestígios. Ela chorou, revoltou-se e desde este dia tornara-se uma meretriz de luxo. E ficou conhecida como Maria de Magdala, entregava-se a luxuria a noite, e ao desencanto ao amanhecer.  O mendigo novamente fala: - Vamos senhora ele está aqui em Cafarnaum bem próximo de Magdala, ele a espera. A mulher tomada de esperanças pergunta: - Mas eu sou uma pecadora, ele me receberá? – Sim Senhora, ele diz que são os doentes que precisam de médico. Maria com o coração cheio de esperanças pede a serviçal para chamar o barqueiro e em pouco tempo à luz do luar ilumina um mendigo, um barqueiro e uma meretriz. Após uma hora de viagem chegam os três a beira da praia de cafarnaum. O mendigo então aponta – Veja senhora é naquela casa. Vá ele a espera. Chegando à porta da casa a meretriz para e consegue pela claridade da lua observar a silhueta daquele homem, belo e sereno.  Jesus então se vira e com a voz doce diz: - Venha Maria. A mulher emocionada atira-se aos pés do mestre, dizendo: Rabone, tu sabes o meu nome? – Sim, Maria o bom pastor conhece todo o seu rebanho. – Mas o senhor sabe quem eu sou? Sabe que sou uma mulher de má vida? – ó Maria o bom pastor é aquele que não descansa enquanto não encontra todas as ovelhas desgarradas. – Vá Maria, cuida dos teus filhos! – Mas eu não tenho filhos senhor, nunca pude ter filhos. Eu quero entregar a minha vida a ti senhor. – Maria, o tempo certo eu te pedirei o testemunho. Vá e cuida dos teus filhos, do mundo. No outro dia a cidade de Magdala acorda com a notícia que Maria de Magdala havia enlouquecido. Deu tudo o que tinha, jogou pela janela roupas e joias. Entregou a sua casa para os que não tinham teto e saiu só com a roupa do corpo e um jarro de bálsamo. A partir daquele dia onde estivesse Jesus, apareci a no meio da multidão aquela mulher. Quando Jesus foi para o calvário, Maria agora Madalena estava lá e quando o mestre morreu, Maria de Nazaré sua mãe chorou abraçada em Maria Madalena a antiga pecadora. E foi para ela que Jesus apareceu – Não me toques! Eu ainda não subi ao meu pai, vai e avisa aos outros. Eles não acreditaram. Somente sua mãe Maria de Nazaré. Após a morte separaram-se os discípulos e não quiseram levar Maria Madalena. Assim, começou sua missão no vale dos leprosos que foram os seus filhos do mundo, como lhe dizia Jesus. Maria de Madalena morreu nos braços de Maria de Nazaré, mãe de seu mestre Jesus. “E, quando, em espírito, despertou Jesus a esperava de braços abertos”.

                                Esta estória reabilita a mulher, que faz a transformação moral pelos caminhos do amor, posto que o sentimento modela a alma, transformando-a. As más interpretações judaico-cristãs deram punições a mulher fazendo-as submissas e pecadoras. As adulteras eram apedrejadas e, Jesus questionava onde estavam aqueles que as adulterou. Demonstrando que independente da vestimenta carnal, todos são responsáveis pelas escolhas, buscando a justiça nos comportamentos, não apenas das mulheres. Trazendo a tona à conduta masculina, que as subjugavam e posteriormente adulteravam os fatos.

                              A superioridade do espírito não está no gênero e sim na sua condição moral. A mulher de hoje poderá amanhã habitar um corpo masculino se for preciso para sua evolução espiritual, pois o espirito não tem sexo. Leon Denis diz que: “O homem e a mulher nasceram para funções diferentes, mas complementares. No ponto de vista da ação social, são equivalentes e inseparáveis”. Entretanto, com a sensibilidade feminina, necessária para carregar o filho no ventre, a mulher conta com a mediunidade como contributo na sua existência.

                             Já na antiguidade a sensibilidade feminina era conhecida, e usada nos templos. As pitonisas permaneciam atrás das cortinas, fazendo previsões que eram atribuídas aos profetas.

                            E esta é uma das missões da mulher, de profetizar e, também, de amar. Utilizando da mediunidade para ser mediadora das almas sofredoras. Ajudando-as, qual mãe na sua evolução espiritual através do amor.  E por isto, o Cristo disse a Madalena – Maria cuida dos teus filhos do mundo!

                           Depois do encontro com Jesus a vida de Maria de Magdala se transformou e, Madalena assumiu o compromisso com o Mestre. Muitas mulheres ainda não tiveram a possibilidade deste encontro com o Messias, e ainda permanecem utilizando o corpo e a sensualidade como meio para atingir seus objetivos. A busca do prazer desmedido, equivalendo-se ao homem transviado, sem objetivo algum.  A renúncia das imperfeições morais é imprescindível para a evolução espiritual da criatura, que está ao alcance de todos, pois o virtuoso de hoje é o vicioso de ontem.

                          Assim para aquelas que já acordaram e remaram de Magdala em direção ao Mestre, assumir o seu papel junto ao Evangelho de Jesus, como outrora, é inadiável. Não com agressividade, revanche e competição, mas com amorosidade e compromisso.

                          Compromisso assumido na praia de Cafarnaum, cujas únicas testemunhas foram à luz do luar e Jesus.  Que todas as Marias de hoje, relembrem este chamado, arregacem as mangas e iniciem o cuidado com seus filhos do mundo, debruçadas no evangelho rumo à regeneração.

 

  • Psicóloga

Novo e-mail: marianedemacedo@hotmail.com   

domingo, 10 de novembro de 2013

RESILIÊNCIA


                                                              Mariane de Macedo

 “E, se os deixar ir em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe”. (Marcos, 8:3)

                      Resiliência é um conceito oriundo da física, que se refere à propriedade de que são dotados alguns materiais, de acumular energia quando exigidos ou submetidos a estresse sem ocorrer ruptura. Este termo também tem origens na Economia da Natureza ou Ecologia. Pode ser definido como a capacidade de recuperação de um ambiente frente a um impacto, como por exemplo, uma queimada. Logo, o bioma cerrado costuma apresentar uma grande capacidade de resiliência após uma queimada.

                      Atualmente resiliência é utilizado no mundo dos negócios para caracterizar pessoas que têm a capacidade de retornar ao seu equilíbrio emocional após sofrer grandes pressões ou estresse, ou seja, são dotadas de habilidades que lhes permitem lidar com problemas  mantendo o equilíbrio emocional.

                        A Psicologia pegou emprestada a palavra, criando o termo resiliência psicológica para indicar como as pessoas respondem às frustrações diárias, em todos os níveis, e sua capacidade de recuperação emocional. Portanto, quanto mais resiliente for o indivíduo, mais fortemente estará preparado para lidar com as adversidades da vida.

                     Nesse sentido, a atitude mental de enfrentamento é uma das primeiras lições para construir uma boa resiliência psicológica, pois possibilita ao homem uma postura mais ativa: a de se tornar responsável pelo que acontece a sua volta, apropriando-se de suas escolhas destituindo-se do papel de vítima.

                       O psicólogo existencialista Viktor Frankl. Prisioneiro dos campos de concentração teve a oportunidade de observar as mais diversas reações dos prisioneiros frente às atrocidades cometidas pelos nazistas. Em seus relatos, descreve que muitas pessoas em certo ponto não mais conseguiam tolerar o sofrimento e assim deliberadamente desistiam de viver. Faziam isso se jogando contra as cercas eletrificadas, deixando de se alimentar ou, finalmente, se atirando contra os militares e seus cachorros. Em suas notas, descreveu que aquelas que mais suportavam a dor de uma prisão (e que sobreviveram) eram aquelas que desenvolviam um sentido de vida como, por exemplo, guardar comida para um prisioneiro mais fragilizado ou mobilizar-se para conseguir medicações para outro mais necessitado. Tais ações, segundo ele, traziam de volta a dignidade humana, pois abasteciam as pessoas com força e determinismo pessoal.

                    Para Frankl, “O sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior” Desta forma, o homem deve em seu cotidiano desenvolver projetos que tragam um sentido a sua existência, pois o torna mais resiliente frente às adversidades da vida.

                    Fechando o tripé em que se apoia a resiliência, a capacidade de se compreender os próprios sentimentos. Estar atento às emoções é uma das maneiras mais simples do homem desenvolver a capacidade de enfrentamento emocional. Quando reconhece seus sentimentos e os aceita tem a possibilidade de permanecer em sofrimento, ou sair deste. A lucidez em relação a sua subjetividade lhe permite ser mais rápido na busca de soluções, e quando executa, com atitudes sensatas e coerentes encontra o equilíbrio.

                    Entretanto, quando o homem não está habituado a se conectar consigo, procura aliviar os sentimentos ruins através de atitudes externas como, por exemplo, consumir bebida, comida, e outras substâncias psicoativas. Nada obstante, ao buscar no externo o alívio para o desconforto interno, desequilibra-se. A fuga apenas o distancia da percepção de si mesmo, assim, ao não visualizá-la tem dificuldade de mudar.

                 Para a Doutrina Espírita os três itens que a psicologia da resiliência apresenta para a construção de uma conduta resiliente estão intimamente ligados aos princípios básicos. Posto que desenvolver um papel ativo na vida é ter a consciência do Projeto Reencarnatório. Este é estabelecido na espiritualidade junto às entidades amigas que planejarão junto ao ser reencarnante as condições existenciais para que o mesmo obtenha êxito, salientando, que este projeto foi feito para o crescimento do indivíduo. Existe toda a assistência espiritual para que a criatura tenha o amparo necessário, diante das adversidades da vida, através de intuições, situações inusitadas, amigos, mensagens e outros, ou seja, não está só na caminhada. O segundo é de elaborar um projeto pessoal, que já está dentro do Projeto Reencarnatório, que é a evolução. Quando o homem pergunta-se: - De onde vim? O que estou fazendo aqui e para onde vou? - Está estabelecendo um questionamento sobre si mesmo e assim desenvolve vontade de aprender e buscar as respostas que o possibilite ao entendimento do sentido da vida. Desta forma, chega ao terceiro item: Entender as próprias emoções, através do reconhecimento e, estabelecer metas para a transformação. Lançando mão do evangelho na busca do equilíbrio emocional, com atitudes pautadas nos ensinamentos cristãos, ainda que de forma lenta.

                     Joanna de Ângelis, no livro Psicologia da Gratidão, destaca que para Jung a finalidade da vida não é aquisição da felicidade, mas a busca de sentido, de significado. O sentido, o significado existencial, entretanto, caracteriza-se pela busca interna, pela transformação do indivíduo. É um sentido profundo, a princípio de autorrealização, depois de, auto encontro até a auto iluminação. Quando o homem consegue desenvolver este projeto pessoal aumenta significativamente a resiliência, porque não se sente sem rumo.

                     Portanto, o que define uma pessoa resiliente é a capacidade de buscar na sua centelha divina, a força e coragem para prosseguir. É a certeza que Deus é Pai, bom e Justo e jamais abandona seus filhos, ainda que, na hora dos testemunhos pareça ao contrario. E, através de Jesus, oportunizou ao homem espiritualizar-se gradativamente, fortalecendo a crença de sua origem divina. O Mestre desejando o bem de todos os homens, cheio de abnegação e amor sabe alimentar, com recursos específicos, o ignorante o sábio, o indagador e o crente, o revoltado e o infeliz. Compreende, que de outro modo às criaturas cairiam, exaustas nos imensos despenhadeiros do processo evolutivo. E, como governador espiritual da terra, assevera: “E, se os deixar ir em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe”.
 

BIBLIOGRAFIA:

FRANCO, Divaldo – Pelo espírito Joanna de Ângelis –– Psicologia da Gratidão –– Editora LEAL- 1ª. Ed.- 2001.

FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Petrópolis: Editora Vozes, 1991

KARDEC, Allan – O Evangelho Segundo Espiritismo – 1 ed. Porto Alegre, RS:     FERGS -2006.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentille, revisão de Elias Barbosa. Araras, SP, IDE, 166ª. Edição, 2006.

NÃO ESQUEÇA O PRINCIPAL

                                                                                                                                                                                                                        Mariane de Macedo


“Senhor, permite-me que vá eu primeiro enterrar meu pai. E Jesus lhe respondeu: Deixa que os mortos enterrem os seus mortos, e tu vai e anuncia o Reino de Deus”. (Lucas, IX: 59-60).
  

                     Jesus não censurava àquele que considerava um dever de piedade filial ir sepultar o pai. Mas, através desta assertiva desejava revelar um sentido mais profundo, mostrando que a vida espiritual é, realmente, a verdadeira vida, a vida do Espírito. Cumprindo mais uma jornada na terra seguem os espíritos para a pátria espiritual, conduzindo a bagagem dos feitos acumulados em suas existências físicas. O Espírito utiliza-se do corpo como revestimento, verdadeira cadeia que o prende à vida terrena, e da qual ele sente-se feliz em libertar-se.

                   Certamente Jesus ensinava que o respeito aos mortos não estava condicionado a matéria, mas ao espírito. Os homens ainda não compreenderam que é através da subjetividade, ou seja, dos sentimentos que estão vinculados. E o amor, de todos os sentimentos, é o mais legítimo.

                  Conta à lenda que certa mulher, muito pobre, com uma criança no colo, passando diante de uma caverna escutou uma voz misteriosa que lá dentro lhe dizia: “Entre e apanhe tudo que você desejar, Mas não esqueça o principal. Lembre-se, porém, de uma coisa: Depois que você sair, a porta se fechará para sempre. Portanto, aproveite a oportunidade, mas não esqueça o principal”. A mulher entrou na caverna e encontrou muitas riquezas. Fascinada pelo ouro e pelas joias, pôs a criança no chão e começou a juntar, ansiosamente, tudo o que podia em seu avental. A voz misteriosa falou novamente: “você só tem oito minutos". Esgotado o tempo, a mulher carregada de ouro e pedras preciosas, correu para a fora da caverna e a porta se fechou. Lembrou-se, então, que a criança ficara lá e a porta estava fechada para sempre!

                  O homem materialista passa seus oito minutos da existência física “esquecendo o principal”. Sobrecarregado pelo peso da matéria, coloca os afetos ao lado, justificando que a busca material é para beneficiá-los. No entanto, enquanto gasta anos construindo impérios, negligencia com sua  presença física dentro do lar. 

                  A ambição, a ganância, os prazeres materiais fascina o individuo, que esquece o essencial, sem perceber que o tempo está esgotando. Somente quando arrebatados pela morte física é que os afetos tornam-se indispensáveis. Quando a porta desta vida se fecha, permanecem apenas as lamentações e culpas. A perda dos entes queridos, ás vezes, é o caminho, doloroso, que leva a pessoa a se espiritualizar, na busca de aplacar o sofrimento.    

                Para Divaldo Franco, “Morrer, longe de ser o descansar nas mansões celestes ou expurgar sem remissão nas zonas infelizes, é, pura e simplesmente, recomeçar a viver. A morte a todos aguarda. Preparar-se para tal acontecimento é tarefa inevitável. Apenas as almas esclarecidas e experimentadas na batalha redentora serão capazes de transpor a barreira do túmulo e caminhar em liberdade. A reencarnação é uma bendita oportunidade de evolução. A matéria que se encontra imersa, por ora, é abençoado campo de luta e de aprimoramento pessoal. Cada dia na carne é uma chance de recomeço”.

               Portanto, necessário manter os relacionamentos sadios durante a existência, ainda, que alguns estejam regidos pelas leis da reconciliação.  É no processo educacional, que se motiva a criatura a sua transformação moral. E, o  afeto é mola propulsora a reconstrução da estima e de hábitos novos. Quando os indivíduos compreendem as leis naturais, e estabelecem uma vinculação espiritual, não descuidam dos seus afetos, independente da condição em que se encontram.

                Assim, “não esquecer o principal” é estar vivo e pleno, seja na condição de espírito ou de homem. Para que, quando a morte bater na porta, não exista motivo para desespero e, sim, apesar das lágrimas da separação física, que permaneça a certeza da bondade divina. Pois, Deus concedeu a oportunidade da convivência e aprendizado junto aqueles que partiram. E na condição de Pai amoroso, sempre permite reencontros através dos sonhos. 

                Nada obstante, Jesus, o Mestre amoroso convida para a reencarnação com vida, ou seja, lúcido dos objetivos evolutivos. Não se deixando obscurecer pela matéria, que aprisiona e torna o homem com vida física, mas, morto para essência e os valores espirituais.  Portanto: Não esqueça o principal.

 Bibliografia:

ANGELIS, Joana( espírito) – O Homem Integral – Psicografado por Divaldo Pereira Franco – Salvador – BA – Livraria Espírita Alvorada, 1990. 1ª Ed.

Divaldo Franco – Triunfo da imortalidade – Porto Alegre – RS – FERGS , Livraria Francisco Spinelli, 2012.

Kardec, Allan - O livro dos Espíritos – Edição comemorativa pelo transcurso, em 18 de abril de 2007, do Sesquicentenário do lançamento de O livro dos Espíritos –ed. FEB.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 119. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002.

domingo, 31 de março de 2013

JESUS, O MÉDICO DAS ALMAS

                                                                                                                 Mariane de Macedo


“Se permaneceres em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserem, e vos será feito.” (João, 15-7).

                  A educação religiosa da maioria das pessoas vem do conhecimento do Deus que castiga. Em decorrência disto, o Cristo que nos foi apresentado, se sacrificou para libertação de todos nós, os pecadores. E, assim, ouvindo e internalizando essas informações, que se tornaram crenças, é que a maioria dos indivíduos está sem rumo em relação a sua espiritualização. Não fazem questionamentos sobre a validade dos ensinamentos para atual conjuntura da vida. Certamente, que em alguns, até pode haver a reflexão, no entanto, este modelo sem esforço ainda permanece o mais conveniente, pois não exige mudança.

                 Já a doutrina espírita apresenta um Cristo que fala de um Deus amoroso, que é Pai de todos. Que providencia o atendimento das necessidades de seus filhos e, que não castiga, mas que deu a oportunidade da vida para uma caminhada pela estrada certa, ou seja, a da prática do amor a si e ao próximo. Entretanto, apesar deste conhecimento algumas pessoas apenas colocam rótulos, mas continuam se comportando de acordo com as crenças assimiladas pela educação tradicional. Agindo, também, pela lei do menor esforço, nestes casos, tem o conhecimento que fica divorciado da conduta.

                A OMS – Organização Mundial de Saúde informa que neste século as doenças que farão mais pacientes serão as cardiológicas e as emocionais, justamente as patologias onde os traços de personalidade comprometem a maneira de funcionar destes tipos de paciente. E, também, onde a espiritualidade da maioria é inexistente. Entretanto, embora a passos lentos, a ciência e a espiritualidade, que andavam em caminhos opostos, buscam atualmente, através de cursos para profissionais da área, uma proposta onde esses caminhos sejam paralelos.

               Existem várias bibliografias enfatizando que saúde e espiritualidade devem andar de mãos dadas. E, é justamente nesta aliança que a obra de Joanna de Ângelis auxilia aquele que permanece enfermo. Ela aponta uma série de caminhos, que percorridos, resulta em saúde. Mostrando que a doença está intimamente ligada às escolhas, sugerindo ao indivíduo não se ater a atavismos infelizes, revivendo-os, comentando-os, reestruturando-os no campo mental ou verbal. Salientando que eles não abandonarão a criatura enquanto esta não os deixar. Apoiada na sabedoria popular exemplifica que “Pedra que rola não cria limo”, sugerindo alteração de rota, movimento, realização.   

           Além disto, estimula o questionamento sobre o que está inconsciente, e se manifestando em forma de doença. Os conflitos existenciais negligenciados são as causas do aparecimento das enfermidades, que desejam sinalizar sobre a necessidade de ações mais adequadas. Olhar no espelho da alma e perceber a repetição de receitas conhecidas e falidas, onde o individuo deseja resultados novos enquanto as condutas permanecem inalteradas. Enfatiza que para que pessoa adquira ou preserve a saúde, é imprescindível a conscientização de si mesma, da sua maneira de ser.   

                A benfeitora lista alguns sinais de alarme em torno de situações que surgem, que impedem a criatura de realizar o que deseja para evoluir: Pedir desculpas por uma reação infeliz e não logra fazê-lo; Recomeçar uma tarefa que a ira interrompeu e sente dificuldade; Abraçar alguém inamistoso e vê-se impedido; Discutir um assunto desagradável e é tomado por um silêncio constrangedor; iniciar uma conversação e sente-se incapaz ou desinteressado; Permanecer acordado sem libertar-se de uma ideia intranquilizadora; Continuar ansioso, mesmo quando não há razão que o justifique; Não conseguir dirigir palavras gentis a uma pessoa querida; Sentir-se trêmulo ou deprimido diante de alguém que lhe parece superior; Considerar-se diminuído no meio social no qual se movimenta... Esses sintomas e outros mais caracterizam estados predisponentes às doenças. Portanto, precisam de atenção e cuidado.

              Joanna assevera para a desconstrução dos padrões mentais antigos, negativos, que condicionam a aceitação dos comportamentos doentios. Deixando claro que é através do autodescobrimento que aparecem as respostas para os desequilíbrios. Quando a criatura permanece em pensamentos de ódios, culpas, inveja, vingança entra em dissonância cognitiva. Ao contrário, quando o padrão vibratório dos pensamentos se modifica, o indivíduo entra em consonância cognitiva, construindo um ambiente de harmonia, mudando a sua psicosfera, que gera bem estar e, por consequência saúde.

               Com a mudança da psicosfera a convivência torna-se mais equilibrada nos ambientes onde o indivíduo está inserido, para o aprendizado. Embora, em alguns, as exigências sejam árduas, há a necessidade de compreensão. Pois é deste esforço na melhora dos relacionamentos que a transformação ocorrerá, através de novas atitudes. Assim, o indivíduo assume a parte que lhe compete no processo evolutivo. Narra-se que um sábio caminhava com seus discípulos, por uma via tortuosa, quando encontraram um homem piedoso que, ajoelhado, rogava a Deus o auxiliasse a tirar do atoleiro o carro em que seguia. Todos olharam o devoto, sensibilizaram-se e prosseguiram. À frente, alguns quilômetros vencidos, havia outro homem que tinha, igualmente, o carro, mas tentava com todo empenho liberar o veículo. Comovido, o sábio propôs aos discípulos ajuda-lo. Reunidas todas as forças, logo o transporte foi retirado e, após agradecimentos, o viajante prosseguiu feliz. Os aprendizes surpresos, indagaram ao mestre: ─ O primeiro homem orava, era piedoso e não o ajudamos. Este, que era rebelde e até vociferava, recebeu nosso apoio. Por quê? Sem perturbar-se, o nobre professor elucidou: ─ O que orava, aguardava que Deus viesse fazer a tarefa que lhe competia. O outro, embora desesperado por ignorância, empenhava-se, merecendo auxílio.

                 Joanna de Ângelis através desta fábula demonstra que é preciso agir e retirar os hábitos infelizes para alcançar a saúde. Quando o homem sai dos atoleiros da má vontade, do egoísmo, da rigidez, da queixa, da maledicência, algo se move internamente. Oportunizando ao indivíduo a aceitação dos ensinamentos do evangelho, libertando-o das imperfeições morais. Quando a espiritualidade é vivenciada de acordo com a sua proposta real, do indivíduo ter uma atitude cuidadosa para com a vida, ele passa a se comprometer consigo e com tudo que o circunda. Desenvolvendo uma relação de respeito, gerando ação e reação. Assim, a mensagem cristã vai aos poucos assumindo outro papel, na vida e escolhas de cada um.

                   Portanto, a mudança de comportamento, com condutas mais coerentes estabilizam a criatura, que ao sentir-se verdadeira se conecta consigo e por consequência com o Deus Pai. Sente-se merecedora do amor divino, deixando brilhar a sua luz interior. Abandonando a crença de castigo, onde se responsabiliza pelo seu processo evolutivo, fazendo a sua parte com maturidade. Por consequência, o Cristo é retirado da cruz e passa a fazer parte da atualidade, como médico das almas, como amigo que acolhe e, que carrega no colo nas adversidades da vida. Ele passa a ser Aquele Messias tão esperado, que ouve e atende, oferecendo seu evangelho como farmácia, onde todas as medicações necessárias ficam a disposição. Basta apenas à decisão, de marcar a consulta, e aderir ao tratamento.

 BIBLIOGRAFIA:

 FRANCO, Divaldo – Pelo espírito Joanna de Ângelis –– Momentos de Saúde e de Consciência –– Editora LEAL- 1ª. Ed.- 2013

KARDEC, Allan – O Evangelho Segundo Espiritismo – 1 ed. Porto Alegre, RS:     FERGS -2006.

 

            KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentille, revisão de Elias Barbosa. Araras, SP, IDE, 166ª. Edição, 2006.

 

 

 

 

   



ESCLARECIMENTO


Queridos amigos peço desculpas a vocês por ter permanecido ausente, no entanto, foi necessário. Vou fazer o possível para continuar escrevendo mensalmente neste endereço, onde conto com a participação de todos para me auxiliarem a construir textos coerentes e que visem a promoção emocional e, por consequência social dos  leitores. Abraço fraterno. Mariane