domingo, 10 de novembro de 2013

RESILIÊNCIA


                                                              Mariane de Macedo

 “E, se os deixar ir em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe”. (Marcos, 8:3)

                      Resiliência é um conceito oriundo da física, que se refere à propriedade de que são dotados alguns materiais, de acumular energia quando exigidos ou submetidos a estresse sem ocorrer ruptura. Este termo também tem origens na Economia da Natureza ou Ecologia. Pode ser definido como a capacidade de recuperação de um ambiente frente a um impacto, como por exemplo, uma queimada. Logo, o bioma cerrado costuma apresentar uma grande capacidade de resiliência após uma queimada.

                      Atualmente resiliência é utilizado no mundo dos negócios para caracterizar pessoas que têm a capacidade de retornar ao seu equilíbrio emocional após sofrer grandes pressões ou estresse, ou seja, são dotadas de habilidades que lhes permitem lidar com problemas  mantendo o equilíbrio emocional.

                        A Psicologia pegou emprestada a palavra, criando o termo resiliência psicológica para indicar como as pessoas respondem às frustrações diárias, em todos os níveis, e sua capacidade de recuperação emocional. Portanto, quanto mais resiliente for o indivíduo, mais fortemente estará preparado para lidar com as adversidades da vida.

                     Nesse sentido, a atitude mental de enfrentamento é uma das primeiras lições para construir uma boa resiliência psicológica, pois possibilita ao homem uma postura mais ativa: a de se tornar responsável pelo que acontece a sua volta, apropriando-se de suas escolhas destituindo-se do papel de vítima.

                       O psicólogo existencialista Viktor Frankl. Prisioneiro dos campos de concentração teve a oportunidade de observar as mais diversas reações dos prisioneiros frente às atrocidades cometidas pelos nazistas. Em seus relatos, descreve que muitas pessoas em certo ponto não mais conseguiam tolerar o sofrimento e assim deliberadamente desistiam de viver. Faziam isso se jogando contra as cercas eletrificadas, deixando de se alimentar ou, finalmente, se atirando contra os militares e seus cachorros. Em suas notas, descreveu que aquelas que mais suportavam a dor de uma prisão (e que sobreviveram) eram aquelas que desenvolviam um sentido de vida como, por exemplo, guardar comida para um prisioneiro mais fragilizado ou mobilizar-se para conseguir medicações para outro mais necessitado. Tais ações, segundo ele, traziam de volta a dignidade humana, pois abasteciam as pessoas com força e determinismo pessoal.

                    Para Frankl, “O sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior” Desta forma, o homem deve em seu cotidiano desenvolver projetos que tragam um sentido a sua existência, pois o torna mais resiliente frente às adversidades da vida.

                    Fechando o tripé em que se apoia a resiliência, a capacidade de se compreender os próprios sentimentos. Estar atento às emoções é uma das maneiras mais simples do homem desenvolver a capacidade de enfrentamento emocional. Quando reconhece seus sentimentos e os aceita tem a possibilidade de permanecer em sofrimento, ou sair deste. A lucidez em relação a sua subjetividade lhe permite ser mais rápido na busca de soluções, e quando executa, com atitudes sensatas e coerentes encontra o equilíbrio.

                    Entretanto, quando o homem não está habituado a se conectar consigo, procura aliviar os sentimentos ruins através de atitudes externas como, por exemplo, consumir bebida, comida, e outras substâncias psicoativas. Nada obstante, ao buscar no externo o alívio para o desconforto interno, desequilibra-se. A fuga apenas o distancia da percepção de si mesmo, assim, ao não visualizá-la tem dificuldade de mudar.

                 Para a Doutrina Espírita os três itens que a psicologia da resiliência apresenta para a construção de uma conduta resiliente estão intimamente ligados aos princípios básicos. Posto que desenvolver um papel ativo na vida é ter a consciência do Projeto Reencarnatório. Este é estabelecido na espiritualidade junto às entidades amigas que planejarão junto ao ser reencarnante as condições existenciais para que o mesmo obtenha êxito, salientando, que este projeto foi feito para o crescimento do indivíduo. Existe toda a assistência espiritual para que a criatura tenha o amparo necessário, diante das adversidades da vida, através de intuições, situações inusitadas, amigos, mensagens e outros, ou seja, não está só na caminhada. O segundo é de elaborar um projeto pessoal, que já está dentro do Projeto Reencarnatório, que é a evolução. Quando o homem pergunta-se: - De onde vim? O que estou fazendo aqui e para onde vou? - Está estabelecendo um questionamento sobre si mesmo e assim desenvolve vontade de aprender e buscar as respostas que o possibilite ao entendimento do sentido da vida. Desta forma, chega ao terceiro item: Entender as próprias emoções, através do reconhecimento e, estabelecer metas para a transformação. Lançando mão do evangelho na busca do equilíbrio emocional, com atitudes pautadas nos ensinamentos cristãos, ainda que de forma lenta.

                     Joanna de Ângelis, no livro Psicologia da Gratidão, destaca que para Jung a finalidade da vida não é aquisição da felicidade, mas a busca de sentido, de significado. O sentido, o significado existencial, entretanto, caracteriza-se pela busca interna, pela transformação do indivíduo. É um sentido profundo, a princípio de autorrealização, depois de, auto encontro até a auto iluminação. Quando o homem consegue desenvolver este projeto pessoal aumenta significativamente a resiliência, porque não se sente sem rumo.

                     Portanto, o que define uma pessoa resiliente é a capacidade de buscar na sua centelha divina, a força e coragem para prosseguir. É a certeza que Deus é Pai, bom e Justo e jamais abandona seus filhos, ainda que, na hora dos testemunhos pareça ao contrario. E, através de Jesus, oportunizou ao homem espiritualizar-se gradativamente, fortalecendo a crença de sua origem divina. O Mestre desejando o bem de todos os homens, cheio de abnegação e amor sabe alimentar, com recursos específicos, o ignorante o sábio, o indagador e o crente, o revoltado e o infeliz. Compreende, que de outro modo às criaturas cairiam, exaustas nos imensos despenhadeiros do processo evolutivo. E, como governador espiritual da terra, assevera: “E, se os deixar ir em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe”.
 

BIBLIOGRAFIA:

FRANCO, Divaldo – Pelo espírito Joanna de Ângelis –– Psicologia da Gratidão –– Editora LEAL- 1ª. Ed.- 2001.

FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Petrópolis: Editora Vozes, 1991

KARDEC, Allan – O Evangelho Segundo Espiritismo – 1 ed. Porto Alegre, RS:     FERGS -2006.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentille, revisão de Elias Barbosa. Araras, SP, IDE, 166ª. Edição, 2006.

NÃO ESQUEÇA O PRINCIPAL

                                                                                                                                                                                                                        Mariane de Macedo


“Senhor, permite-me que vá eu primeiro enterrar meu pai. E Jesus lhe respondeu: Deixa que os mortos enterrem os seus mortos, e tu vai e anuncia o Reino de Deus”. (Lucas, IX: 59-60).
  

                     Jesus não censurava àquele que considerava um dever de piedade filial ir sepultar o pai. Mas, através desta assertiva desejava revelar um sentido mais profundo, mostrando que a vida espiritual é, realmente, a verdadeira vida, a vida do Espírito. Cumprindo mais uma jornada na terra seguem os espíritos para a pátria espiritual, conduzindo a bagagem dos feitos acumulados em suas existências físicas. O Espírito utiliza-se do corpo como revestimento, verdadeira cadeia que o prende à vida terrena, e da qual ele sente-se feliz em libertar-se.

                   Certamente Jesus ensinava que o respeito aos mortos não estava condicionado a matéria, mas ao espírito. Os homens ainda não compreenderam que é através da subjetividade, ou seja, dos sentimentos que estão vinculados. E o amor, de todos os sentimentos, é o mais legítimo.

                  Conta à lenda que certa mulher, muito pobre, com uma criança no colo, passando diante de uma caverna escutou uma voz misteriosa que lá dentro lhe dizia: “Entre e apanhe tudo que você desejar, Mas não esqueça o principal. Lembre-se, porém, de uma coisa: Depois que você sair, a porta se fechará para sempre. Portanto, aproveite a oportunidade, mas não esqueça o principal”. A mulher entrou na caverna e encontrou muitas riquezas. Fascinada pelo ouro e pelas joias, pôs a criança no chão e começou a juntar, ansiosamente, tudo o que podia em seu avental. A voz misteriosa falou novamente: “você só tem oito minutos". Esgotado o tempo, a mulher carregada de ouro e pedras preciosas, correu para a fora da caverna e a porta se fechou. Lembrou-se, então, que a criança ficara lá e a porta estava fechada para sempre!

                  O homem materialista passa seus oito minutos da existência física “esquecendo o principal”. Sobrecarregado pelo peso da matéria, coloca os afetos ao lado, justificando que a busca material é para beneficiá-los. No entanto, enquanto gasta anos construindo impérios, negligencia com sua  presença física dentro do lar. 

                  A ambição, a ganância, os prazeres materiais fascina o individuo, que esquece o essencial, sem perceber que o tempo está esgotando. Somente quando arrebatados pela morte física é que os afetos tornam-se indispensáveis. Quando a porta desta vida se fecha, permanecem apenas as lamentações e culpas. A perda dos entes queridos, ás vezes, é o caminho, doloroso, que leva a pessoa a se espiritualizar, na busca de aplacar o sofrimento.    

                Para Divaldo Franco, “Morrer, longe de ser o descansar nas mansões celestes ou expurgar sem remissão nas zonas infelizes, é, pura e simplesmente, recomeçar a viver. A morte a todos aguarda. Preparar-se para tal acontecimento é tarefa inevitável. Apenas as almas esclarecidas e experimentadas na batalha redentora serão capazes de transpor a barreira do túmulo e caminhar em liberdade. A reencarnação é uma bendita oportunidade de evolução. A matéria que se encontra imersa, por ora, é abençoado campo de luta e de aprimoramento pessoal. Cada dia na carne é uma chance de recomeço”.

               Portanto, necessário manter os relacionamentos sadios durante a existência, ainda, que alguns estejam regidos pelas leis da reconciliação.  É no processo educacional, que se motiva a criatura a sua transformação moral. E, o  afeto é mola propulsora a reconstrução da estima e de hábitos novos. Quando os indivíduos compreendem as leis naturais, e estabelecem uma vinculação espiritual, não descuidam dos seus afetos, independente da condição em que se encontram.

                Assim, “não esquecer o principal” é estar vivo e pleno, seja na condição de espírito ou de homem. Para que, quando a morte bater na porta, não exista motivo para desespero e, sim, apesar das lágrimas da separação física, que permaneça a certeza da bondade divina. Pois, Deus concedeu a oportunidade da convivência e aprendizado junto aqueles que partiram. E na condição de Pai amoroso, sempre permite reencontros através dos sonhos. 

                Nada obstante, Jesus, o Mestre amoroso convida para a reencarnação com vida, ou seja, lúcido dos objetivos evolutivos. Não se deixando obscurecer pela matéria, que aprisiona e torna o homem com vida física, mas, morto para essência e os valores espirituais.  Portanto: Não esqueça o principal.

 Bibliografia:

ANGELIS, Joana( espírito) – O Homem Integral – Psicografado por Divaldo Pereira Franco – Salvador – BA – Livraria Espírita Alvorada, 1990. 1ª Ed.

Divaldo Franco – Triunfo da imortalidade – Porto Alegre – RS – FERGS , Livraria Francisco Spinelli, 2012.

Kardec, Allan - O livro dos Espíritos – Edição comemorativa pelo transcurso, em 18 de abril de 2007, do Sesquicentenário do lançamento de O livro dos Espíritos –ed. FEB.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 119. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002.

domingo, 31 de março de 2013

JESUS, O MÉDICO DAS ALMAS

                                                                                                                 Mariane de Macedo


“Se permaneceres em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserem, e vos será feito.” (João, 15-7).

                  A educação religiosa da maioria das pessoas vem do conhecimento do Deus que castiga. Em decorrência disto, o Cristo que nos foi apresentado, se sacrificou para libertação de todos nós, os pecadores. E, assim, ouvindo e internalizando essas informações, que se tornaram crenças, é que a maioria dos indivíduos está sem rumo em relação a sua espiritualização. Não fazem questionamentos sobre a validade dos ensinamentos para atual conjuntura da vida. Certamente, que em alguns, até pode haver a reflexão, no entanto, este modelo sem esforço ainda permanece o mais conveniente, pois não exige mudança.

                 Já a doutrina espírita apresenta um Cristo que fala de um Deus amoroso, que é Pai de todos. Que providencia o atendimento das necessidades de seus filhos e, que não castiga, mas que deu a oportunidade da vida para uma caminhada pela estrada certa, ou seja, a da prática do amor a si e ao próximo. Entretanto, apesar deste conhecimento algumas pessoas apenas colocam rótulos, mas continuam se comportando de acordo com as crenças assimiladas pela educação tradicional. Agindo, também, pela lei do menor esforço, nestes casos, tem o conhecimento que fica divorciado da conduta.

                A OMS – Organização Mundial de Saúde informa que neste século as doenças que farão mais pacientes serão as cardiológicas e as emocionais, justamente as patologias onde os traços de personalidade comprometem a maneira de funcionar destes tipos de paciente. E, também, onde a espiritualidade da maioria é inexistente. Entretanto, embora a passos lentos, a ciência e a espiritualidade, que andavam em caminhos opostos, buscam atualmente, através de cursos para profissionais da área, uma proposta onde esses caminhos sejam paralelos.

               Existem várias bibliografias enfatizando que saúde e espiritualidade devem andar de mãos dadas. E, é justamente nesta aliança que a obra de Joanna de Ângelis auxilia aquele que permanece enfermo. Ela aponta uma série de caminhos, que percorridos, resulta em saúde. Mostrando que a doença está intimamente ligada às escolhas, sugerindo ao indivíduo não se ater a atavismos infelizes, revivendo-os, comentando-os, reestruturando-os no campo mental ou verbal. Salientando que eles não abandonarão a criatura enquanto esta não os deixar. Apoiada na sabedoria popular exemplifica que “Pedra que rola não cria limo”, sugerindo alteração de rota, movimento, realização.   

           Além disto, estimula o questionamento sobre o que está inconsciente, e se manifestando em forma de doença. Os conflitos existenciais negligenciados são as causas do aparecimento das enfermidades, que desejam sinalizar sobre a necessidade de ações mais adequadas. Olhar no espelho da alma e perceber a repetição de receitas conhecidas e falidas, onde o individuo deseja resultados novos enquanto as condutas permanecem inalteradas. Enfatiza que para que pessoa adquira ou preserve a saúde, é imprescindível a conscientização de si mesma, da sua maneira de ser.   

                A benfeitora lista alguns sinais de alarme em torno de situações que surgem, que impedem a criatura de realizar o que deseja para evoluir: Pedir desculpas por uma reação infeliz e não logra fazê-lo; Recomeçar uma tarefa que a ira interrompeu e sente dificuldade; Abraçar alguém inamistoso e vê-se impedido; Discutir um assunto desagradável e é tomado por um silêncio constrangedor; iniciar uma conversação e sente-se incapaz ou desinteressado; Permanecer acordado sem libertar-se de uma ideia intranquilizadora; Continuar ansioso, mesmo quando não há razão que o justifique; Não conseguir dirigir palavras gentis a uma pessoa querida; Sentir-se trêmulo ou deprimido diante de alguém que lhe parece superior; Considerar-se diminuído no meio social no qual se movimenta... Esses sintomas e outros mais caracterizam estados predisponentes às doenças. Portanto, precisam de atenção e cuidado.

              Joanna assevera para a desconstrução dos padrões mentais antigos, negativos, que condicionam a aceitação dos comportamentos doentios. Deixando claro que é através do autodescobrimento que aparecem as respostas para os desequilíbrios. Quando a criatura permanece em pensamentos de ódios, culpas, inveja, vingança entra em dissonância cognitiva. Ao contrário, quando o padrão vibratório dos pensamentos se modifica, o indivíduo entra em consonância cognitiva, construindo um ambiente de harmonia, mudando a sua psicosfera, que gera bem estar e, por consequência saúde.

               Com a mudança da psicosfera a convivência torna-se mais equilibrada nos ambientes onde o indivíduo está inserido, para o aprendizado. Embora, em alguns, as exigências sejam árduas, há a necessidade de compreensão. Pois é deste esforço na melhora dos relacionamentos que a transformação ocorrerá, através de novas atitudes. Assim, o indivíduo assume a parte que lhe compete no processo evolutivo. Narra-se que um sábio caminhava com seus discípulos, por uma via tortuosa, quando encontraram um homem piedoso que, ajoelhado, rogava a Deus o auxiliasse a tirar do atoleiro o carro em que seguia. Todos olharam o devoto, sensibilizaram-se e prosseguiram. À frente, alguns quilômetros vencidos, havia outro homem que tinha, igualmente, o carro, mas tentava com todo empenho liberar o veículo. Comovido, o sábio propôs aos discípulos ajuda-lo. Reunidas todas as forças, logo o transporte foi retirado e, após agradecimentos, o viajante prosseguiu feliz. Os aprendizes surpresos, indagaram ao mestre: ─ O primeiro homem orava, era piedoso e não o ajudamos. Este, que era rebelde e até vociferava, recebeu nosso apoio. Por quê? Sem perturbar-se, o nobre professor elucidou: ─ O que orava, aguardava que Deus viesse fazer a tarefa que lhe competia. O outro, embora desesperado por ignorância, empenhava-se, merecendo auxílio.

                 Joanna de Ângelis através desta fábula demonstra que é preciso agir e retirar os hábitos infelizes para alcançar a saúde. Quando o homem sai dos atoleiros da má vontade, do egoísmo, da rigidez, da queixa, da maledicência, algo se move internamente. Oportunizando ao indivíduo a aceitação dos ensinamentos do evangelho, libertando-o das imperfeições morais. Quando a espiritualidade é vivenciada de acordo com a sua proposta real, do indivíduo ter uma atitude cuidadosa para com a vida, ele passa a se comprometer consigo e com tudo que o circunda. Desenvolvendo uma relação de respeito, gerando ação e reação. Assim, a mensagem cristã vai aos poucos assumindo outro papel, na vida e escolhas de cada um.

                   Portanto, a mudança de comportamento, com condutas mais coerentes estabilizam a criatura, que ao sentir-se verdadeira se conecta consigo e por consequência com o Deus Pai. Sente-se merecedora do amor divino, deixando brilhar a sua luz interior. Abandonando a crença de castigo, onde se responsabiliza pelo seu processo evolutivo, fazendo a sua parte com maturidade. Por consequência, o Cristo é retirado da cruz e passa a fazer parte da atualidade, como médico das almas, como amigo que acolhe e, que carrega no colo nas adversidades da vida. Ele passa a ser Aquele Messias tão esperado, que ouve e atende, oferecendo seu evangelho como farmácia, onde todas as medicações necessárias ficam a disposição. Basta apenas à decisão, de marcar a consulta, e aderir ao tratamento.

 BIBLIOGRAFIA:

 FRANCO, Divaldo – Pelo espírito Joanna de Ângelis –– Momentos de Saúde e de Consciência –– Editora LEAL- 1ª. Ed.- 2013

KARDEC, Allan – O Evangelho Segundo Espiritismo – 1 ed. Porto Alegre, RS:     FERGS -2006.

 

            KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentille, revisão de Elias Barbosa. Araras, SP, IDE, 166ª. Edição, 2006.

 

 

 

 

   



ESCLARECIMENTO


Queridos amigos peço desculpas a vocês por ter permanecido ausente, no entanto, foi necessário. Vou fazer o possível para continuar escrevendo mensalmente neste endereço, onde conto com a participação de todos para me auxiliarem a construir textos coerentes e que visem a promoção emocional e, por consequência social dos  leitores. Abraço fraterno. Mariane

domingo, 9 de janeiro de 2011

DO TRIBUNAL A ESCOLA DA VIDA

Mariane de Macedo

A existência humana é dos deveres de casa mais difíceis do indivíduo cumprir. Partindo do pressuposto de que a terra é uma escola, e reencarnadas as criaturas tenham que aprender e cumprir com as lições ensinadas. Fazendo esta analogia com a escola convencional, a professora ensina em sala de aula e posteriormente, coloca o tema de casa, para que em fazendo os exercícios, o aluno consiga praticar. Assim, confirma o livro dos espíritos na questão 132. “Deus lhes impõe a encarnação com o fim para a perfeição”. Portanto, não há perfeição sem a prática diária.
Desta forma, o indivíduo não tem como fugir dos imperativos da vida. E, para isto, a vida não pode ser vista como uma tragédia. Os fatos do cotidiano são situações que precisam ser administradas para ao término do dia, as lições tenham sido assimiladas. Ainda que, não tenham sido fixadas e necessitem serem repassadas no dia seguinte. Tudo seria mais fácil se procedesse assim à criatura humana. No entanto, existem indivíduos que se esforçam não apenas para não fazerem a lição do cotidiano, como também se negam a aprender qualquer coisa nova que se a vida lhes apresente.
A cada tipo de modo de funcionamento se verifica atitudes mais ou menos comprometidas. Quando a pessoa não aprende a lição e busca ajuda, reconhecendo as suas limitações, a professora vai repassar o conteúdo e o aluno terá condições de assimilação. Estas são as pessoas simples e humildes de coração, que compreendem que necessitam do outro para alcançarem seus objetivos. E estas se destacam, silenciosamente, os chamados pobres de espírito, que reconhecem a divindade e não relutam para alcançá-la. Fazem o possível para em Deus terem a sustentação da fé, para enfrentarem as suas dificuldades existenciais.
Alguns alunos vão para a sala de aula e querem ficar na bagunça sem objetivo. São as pessoas que acreditam que a vida é uma festa e vieram aqui para passear, apegadas as aparências não ligam para o aprendizado, lidando apenas com frivolidades. Buscam auxílio de Deus, apenas como status. Não tem práticas de transformação moral, e quando chamadas a caridade, até auxiliam ao próximo, mas se forem bem recompensados pelos jornais e aplausos sociais.
Além destes, tem os que vão para a sala de aula a força e querem atrapalhar o aprendizado, agredindo aos demais alunos com bolas de papéis, pedras, e atualmente através do bullyng, que é a prática abusiva geral de desrespeito ao outro. São as pessoas inconformadas que não querem aprender e ainda criam confusões aos outros. Para estes a vida passará em branco, pois se negam a qualquer tipo de ajuda e com o sofrimento advindo das conseqüências de seus atos, tornam-se indiferentes aos demais. Na terra, terão a última oportunidade evolutiva, pois não acompanharão o processo de regeneração. Em outros mundos de provas e expiação permanecerão até o despertar de consciência.
Mas, ainda tem outro grupo de alunos que são aqueles que aprendem com facilidade e como aprenderam, não dão a vez aos demais que ainda estão vencendo suas limitações até o saber. No entanto, estas são as pessoas racionais, onde o aprendizado é intelectual não passa pela emoção. Que acreditam que todas as pessoas devem agir exatamente iguais, ao que pensam, pois são as primeiras a não executarem as próprias exigências. Independente de estarem certas ou erradas. E este grupo é um dos mais difíceis de convivência, pois utilizam o saber de forma manipulatória. Onde a justiça deve sempre beneficiá-las em detrimento do outro e para isso fazem defesas contundentes, mas cheias de vazio de significado, posto que os motivos e alegações do outro sejam insignificantes diante de suas próprias verdades. A razão sobrepondo a emoção. O orgulho do saber construído, desrespeitando as provas e argumentações alheias.
Para este último grupo de alunos da existência terrena o maior desafio é a prática dos exercícios que a vida lhes impõe, posto que Deus, sendo justo não os deixaria a margem da prática, que todos os demais são colocados. Mas lhes falta o principal, que é a humildade. Pois acreditam que tendo facilidade para o aprendizado são os escolhidos de Deus para ensinarem — os pobres seres mortais que vivem a se arrastarem—. Só que embora com a crença de professores de Deus, esquecem que com este cargo, deveriam ensinar os conteúdos de Deus de: compreensão, bondade, justiça, lealdade, respeito e outros. Mas a incoerência que impera faz ditarem as suas próprias normas, que geralmente vem carregada de arrogância e prepotência.
Enquanto que o primeiro grupo busca ajuda para o aprendizado e se esforça para colocá-lo em prática. O segundo não se interessa em aprender, mas depois contrata uma professora particular e no momento das provas passa de ano, com o conteúdo decorado, sem que lhe faça muito sentido, até o despertar. O terceiro não queria ir para a escola, portanto não deseja aprender, desta forma repetirá muitas séries. Mas o quarto grupo aprende, no entanto, não exerce o aprendizado. Seu maior deleite é que os outros façam o que ele diga, mas nunca o que ele faz.
Portanto, ao se fazer uma analogia da vida humana com o período escolar preciso é buscar nas lições que a vida oferece o exercício salutar de construção emocional, para a criatura não repetir os equívocos do passado e saia da sala de aula melhor de que quando entrou. De nada vai ajudar na existência enquanto se acreditar que a vida é um grande Tribunal, onde o outro é julgado e condenado sem direito de defesa. Ou, ainda, em casos mais rígidos apenas levados a prisão, onde o juiz retrocede as idades antigas, colocando nas masmorras pessoas que nem compreendem o porquê de suas prisões.
O homem inteligente na terra é aquele que busca cumprir com os ensinamentos de Deus, de caridade e amor reconhecendo no seu próximo alguém que se encontra no mesmo processo de aprendizado, em pé de igualdade. Que em algumas lições terá êxito, e em outras necessitará muito de apoio. No entanto, o auxilio vem de forma espontânea e não manipulatória. Somente através da humildade que se conquista espaços e pessoas. Quando as relações são por interesse, as bases de sustentação são frágeis e a tendência é romper por definitivo, a mínima contrariedade. Mas quando construídas na base do respeito, cordialidade e tolerância, embora também, passando por processos de dor são mais fáceis de serem assimiladas, pois o ser não fica só. Além disto, a autenticidade dos sentimentos oportunizará a superação de qualquer fórmula mais elaborada, usando de conduta assertiva.
A vida não é um tribunal e sim uma escola, posto que Deus não seja um juiz impiedoso e cruel, ele é Pai. E como bom Pai, não colocou seus filhos na cadeia e sim na Escola.
Bibliografia:
Kardec, Allan - O livro dos Espíritos – Edição comemorativa pelo transcurso, em 18 de abril de 2007, do Sesquicentenário do lançamento de O livro dos Espíritos –ed. FEB.
Ângelis, Joanna de (espírito) [psicografia de] Divaldo Franco – O Ser consciente – Salvador, BA: livr. Espírita Alvorada, 1995.



quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A PSICOLOGIA DO EVANGELHO


“Não te peço que os tire do mundo, mas que os livres do mal”
João, 17:15
Mariane de Macedo

Joanna de Ângelis considera Jesus como terapeuta, que oportunizou através de seu Evangelho, as diretrizes para uma vida equilibrada, salientando que o indivíduo que se utilizar desta terapêutica poderá vencer as vicissitudes galgando melhores condições evolutivas.
Terapeuta por excelência soube ver o lado luz das criaturas investindo na potencialidade individual de cada um. Assim chamou seu colégio apostolar: Mateus, o publicano coletor de impostos que tinha uma vida dissoluta. Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro, pescador simples com poucos recursos intelectuais, Às vezes, intempestivo como no posicionamento diante do exército romano, quando decepou a orelha do soldado Malcon, no horto, colocando a vida de todos em perigo; João, com arroubos da juventude, onde o próprio mestre chamava-o, junto com seu irmão Tiago, de “Boanerges” ou filhos do trovão; Judas Escariotes, de todos o que mais condições culturais apresentava. Jamais fora repreendido pelo mestre, era o tesoureiro do grupo e preocupado com as causas sociais, além destes André, irmão de Pedro; Tiago, irmão de João, Filipe e Bartolomeu, Tomé, Tiago, filho de Alfeu e Simão chamado Zelote; Judas, filho de Tiago.
Jesus soube perceber, no dizer de Joanna de Ângelis: “que como terapeuta rompeu as barreiras da personalidade dos pacientes e penetrou-lhes a consciência”, que aqueles homens eram como a pedra bruta, que precisa ser lapidada. Buscou construir um grupo, que não apresentava as viciações dos fariseus e, em três anos preparou-os para que dessem continuidade ao seu evangelho de amor, investindo no Ser essencial de cada um.
O self, Ser essencial, que é o centro da Consciência, onde estão fixados todas as características positivas e os valores reais do indivíduo. Ou seja, nosso lado luz, amoroso, bom e belo, é a Essência divina que somos. Conforme o Livro dos Espíritos, na questão 88, “O espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea”. Quando estimulado este campo eletromagnético pode se expandir, mas quando o ego se sobrepõe, a essência fica inibida.
O Ego, que é a camada de ignorância que envolve o Ser Essencial (essência), onde ficam registradas todas as experiências equivocadas. É o EU menor, inferior. E pode ser utilizado pelo indivíduo como negatividade ou máscara do ego, segundo Alírio Cerqueira.
Para o autor acima citado, Negatividades do EGO são as energias que se originam do desamor, que é a ausência de amor por si mesmo. Existem enquanto os indivíduos não se dispõem a cultivar os reais VALORES. Permanecendo ainda nos campos do ódio, egoísmo, orgulho, revolta, raiva, mágoa, ressentimento, angustia, depressão, ansiedade, desespero, medo, pânico, violência, cólera, ciúme. Mas à medida que o homem percebe os seus equívocos e busca a transformação moral, amplia as energias do SER essencial, em decorrência desses sentimentos serem transitórios. O maior exemplo que o evangelho nos oportuniza é a passagem de Saulo de Tarso, que perseguia os Cristãos sem piedade. Sendo artífice na execução do primeiro mártir do cristianismo, Estevão. No entanto, ao encontrar-se com O Cristo, na estrada de Damasco percebeu o equivoco e perguntou a Jesus: “Senhor, o que queres que eu faça?” Demonstrando o arrependimento sincero e de imediato, buscando a reparação. A partir deste episódio foi fiel ao Mestre até o final de seus dias, como Paulo de Tarso.
Já nas máscaras do EGO, encontramos a parte disfarçada, onde o ego lança mão dos seus instrumentos de defesa e fuga. Originam-se do pseudo-amor, ou seja, do falso amor, onde o indivíduo consciente ou inconsciente dissimula as negatividades do EGO. Ao acreditar-se correto, perfeito a criatura disfarça o comportamento com sentimentos aparentemente positivos, como a euforia, autopiedade, perfeccionismo, pseudoperdão, martírio, puritanismo. Dificultando a sua reforma íntima, em decorrência de não admitir os erros. E Judas Escariotes é a representação desta figura mascarada. Na convivência com o Mestre era moderado, dosado, discreto, equilibrado e sensato. Não há indícios de que tenha sido agressivo e não há passagens de ter sido repreendido por Jesus. Mais eloqüente e polido dos discípulos, mostrava preocupação com causas sociais e agia silenciosamente. No entanto, ao perceber seu equívoco, não conseguiu enfrentar a própria realidade e sucumbiu.
O Evangelho mostra o olhar do Mestre, que sabia da necessidade de investimento no potencial individual de cada um. E, assim, encontram-se aqueles que foram chamados, com os seguintes resultados. Mateus, o publicano: Escreveu o primeiro evangelho - a fonte que deu origem aos demais. João, o mais jovem: Companheiro permanente de Jesus e após a sua morte de Maria. Autor do Evangelho, de Epístolas e do Apocalipse. O evangelho de João é o mais espiritualizado, revelando Jesus como o Verbo Divino, entre homens. Pedro, o pescador: Identificou Jesus como o “Messias, filho do Deus vivo”. Líder e participante ativo do círculo interno de Jesus morreu em Roma, crucificado de cabeça para baixo, a seu pedido.
Todos são chamados, mas não ainda escolhidos, pela predominância do ego, em detrimento da essência. Embora com o tratado de psicoterapia, o viver no mundo ainda não é para o homem invigilante, um processo de aprendizado. Posto que o próprio Jesus diz: “Não te peço que os tire do mundo, mas que os livres do mal” João, 17:15. Não pediu ele a Deus que tirasse o homem do mundo, pela necessidade de evolução, mas que os livrasse do mal. No entanto, para que permaneça livre do mal, o homem necessita de disciplina, vencer a si mesmo, e buscar relacionamentos mais assertivos, para que o Ser essencial se expanda e exista a transformação a qual Jesus acreditou ser possível. Os apóstolos chamados eram imperfeitos e, posteriormente, como escolhidos para falarem em seu nome, reformados.
Os espíritas ainda são os pescadores, publicanos e Boanerges, com muitas imperfeições morais, que embora não contando mais com a presença física do Mestre, permanecem com o consolador por ELE prometido. Jesus acreditava na transformação das criaturas, posto que seus seguidores devam, por certo, buscá-lo como modelo e guia. E, permanecendo na tarefa com a mesma terapêutica, a plantar as boas sementes e auxiliando no “livrai-os do mal”, lembrando que a colheita é de Deus.

Bibliografia:
ÂNGELIS, Joanna - Vida Desafios e Soluções – Salvador, BA – Liv. Espírita Alvorada. 1997 – pag. 102.
CERQUEIRA, Alírio - Psicoterapia à luz do Evangelho de Jesus - Editora Bezerra de Menezes, 2004. Pag. 30.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 119. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002. Cap. I, item 5, p 56-57 e cap. V, item 24.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentille, revisão de Elias Barbosa. Araras, SP, IDE, 166ª. Edição, 2006. Cap.IV, Q. 167, p 104. – Cap. XI- Livro III – Cap. I, Q. 621, p. 258.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

QUAL TEU OBJETIVO?

Mariane de Macedo

A doutrina espírita em seus princípios básicos nos deixa claro que: Somos espíritos imortais; que reencarnamos para evoluir; que podemos nos comunicar com os desencarnados; que existem outros mundos, dos quais poderemos aportar se evoluirmos; mas o principal é que tudo isso, sem a causa primária de todas as coisas, que é Deus, seria impossível as demais. No entanto, mesmo de posse destes conhecimentos, ainda não conseguimos organizá-los com a devida urgência, que a existência nos convida.
Deus sendo a causa primária de todas as coisas, planejou para que tudo funcionasse de maneira organizada, por que ele tem um objetivo. Ou seja, na nossa compreensão humana observamos que usou de uma metodologia, para que seus objetivos fossem alcançados com início, meio e fim, ou finalidade. E assim, as leis naturais se organizam de tal forma, que cada vez que tentamos contra a natureza, ela nos responde através das mais variadas formas. Portanto, será que nós, que somos os seres inteligentes criados por Deus, também não deveríamos fazer a nossa própria organização, para chegarmos a nossa finalidade?
Quando estudamos Metodologia científica na faculdade aprendemos a fazer projeto. Neste projeto seguimos um modelo, que geralmente vem assim: Identificação do Projeto; justificativa; objetivos; metodologia e avaliação. Se pegássemos emprestado da metodologia este modelo e colocássemos nas nossas vidas, quem sabe tudo ficaria mais claro. Vejamos essa proposta.
O que acontece é que a maioria das pessoas, ao não colocar no cotidiano os princípios básicos, se divorcia da realidade espiritual e esquece a finalidade de Deus para conosco. Que ELE, não nos criou para sofrermos, mas para o contrário, sermos felizes. No entanto, quando o projeto de Deus, cuja identificação é o nosso nome, a justificativa da existência deste projeto (nós) é porque ele nos ama e quer nos dar mais uma oportunidade de acerto. Com qual objetivo? Evolução, especificamente: oportunizar situações que nos estimulem a mudança. E para isso não há necessidade de sabermos se fomos reis ou rainhas no passado, pois basta observarmos quais as lições que estão nos pedindo repetição, tais como: humildade, tolerância, paciência, fraternidade e outras tantas. Mas, ainda que, não observássemos a nossa volta, mas que usássemos a lógica, não existe evolução sem mudança de comportamento. E a metodologia, ou seja, como vamos realizar este projeto. De que forma a Maria vai viver para que ela possa cumprir com seu objetivo de evolução. Se quiser evoluir deverá ter uma vida dentro de princípios do bem, do amor, do reconhecimento do outro. No entanto, quando se esquece de seus objetivos de evolução, qualquer metodologia serve. Pode inclusive deixar para a próxima existência, como preconiza o preguiçoso. Mas neste caso, já não poderá reclamar na hora da avaliação.
E é exatamente na hora da avaliação dos resultados, que as pessoas se dão conta dos sofrimentos, e se queixam de Deus, dizendo que ELE as abandonou, quando na verdade foi escolha do indivíduo permanecer a deriva. Quando há dedicação continua na busca dos resultados, a providência divina está sempre ao nosso alcance. “Dar-se-á aquele que tem”, posto que DEUS seja Pai, ama e deseja que nossa existência dê certo. Assim sendo, nos oportuniza os meios para obtenção de êxito, como: Conhecimento da doutrina, exercício nas sociedades espíritas, no movimento, a prece, a fluidoterapia, a família. Mas principalmente o conhecimento do Evangelho de Jesus, que é o nosso tratado de psicoterapia, segundo Joana de Angelis, onde Jesus é nosso terapeuta.
Então, será que o que nos falta, não é fazermo-nos a seguinte pergunta. Qual o teu objetivo? Ao fazermos uma pergunta, conseqüentemente obteremos uma resposta. Quando falas com alguém, qual teu objetivo? Comunicar-te. Quando sorri, qual teu objetivo? Ser simpático. Quando tu ficas furioso, qual teu objetivo? Brigar; Quando tu bebes, qual o teu objetivo? Embriagar-te; Quando grita, qual teu objetivo? Agredir; Quando vêem erro nos outros, qual teu objetivo? Projetar, te defender; Quando mente, qual teu objetivo? Enganar. E assim por diante, pois é importante pensar sobre as respostas que vamos evocar do meio, quando temos um objetivo, mesmo que seja velado, não percebido aos olhos dos outros, mas percebidos pela consciência, porque toda ação gera uma reação. Assim a causa das nossas dores não é desconhecida. Enquanto persistirmos em nos desviar do nosso objetivo de evolução, utilizando metodologias contraditórias, as nossas avaliações serão sempre de solidão, desamparo e depressão. Uma vez que é incoerente ter um objetivo do bem e não perdoar o irmão, é incoerente servir a Deus e caluniar, Desejar a paz e pregar a discórdia.
Assim, a proposta de analogia do ser humano com um projeto, não é uma maneira de burocratizar os indivíduos, mas de oportunizar a reflexão sobre o que estamos fazendo por nós mesmos. Afinal, somos todos projetos de DEUS.
BIBLIOGRAFIA:
ANGELIS, Joana - Vida Desafios e Soluções – pg. 102 – ANGELIS, Joana - O Ser consciente –
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 119. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentille, revisão de Elias Barbosa. Araras, SP, IDE, 166ª. Edição, 2006.